( Luciana Deschamps)

SEU GATO BEBE MUITA ÁGUA ?

A poliúria – aumento da quantidade de urina – e a polidpsia  - aumento da quantidade de ingestão de água – são sintomas que aparecem em um grande número de afecções nos felinos, tais como : hipertireoidismo, diabetes melitus, insuficiência hepática, insuficiência renal, entre outras.

 Vamos abrir esse espaço para, no decorrer de nossas publicações, tentar esclarecer questões básicas a respeito de cada uma dessas afecções.

 Daremos início com a Insuficiência Renal, que é a “grande vilã ”da poliúria e da polidpsia .

 A Insuficiência Renal pode ser aguda ou crônica

 Na forma aguda, vai ocorrer uma significativa diminuição ou um colapso da função renal, que aparece subitamente. Existem três causas prováveis para insuficiência renal aguda : na pré-renal ocorre gastrite, choque hemorrágico, distúrbios digestivos, etc.; na renal, nefrite aguda, de origem tóxica ou infecciosa ; e na pós-renal ( devido à obstrução do fluxo urinário por um processo inflamatório ou tumoral, ou ainda pelo acúmulo de cálculos ).

Seu animal vai apresentar anorexia, vômito, apatia, e, no exame físico, vai haver sensibilidade à apalpação.E ainda, um hálito urêmico.

 Já  a insuficiência renal crônica ( IRC) é a afecção com maior taxa de mortalidade em gatos idosos.Nos Estados Unidos, os índices são muito altos, chegando a 50%.

Na  IRC vai haver uma perda progressiva da função renal, onde os pacientes afetados vão apresentar polidpsia, poliúria , diminuição progressiva do apetite, vômito, letargia e emagrecimento evidente.No exame físico, vamos observar : mucosas pálidas, úlceras na boca, halitose, e o tamanho e forma dos rins vão estar alterados. 

Portanto, se o seu  gato apresentar esses sintomas, que normalmente aparecem associados , procure , com urgência, um veterinário , para que  exames sejam feitos imediatamente, a tempo de se iniciar um  protocolo de tratamento adequado para que seu animal consiga ter uma qualidade de vida satisfatória. 

Na verdade, tecemos um rápido  comentário sobre alguns sintomas e providências a serem tomadas, caso o seu animal os apresente, principalmente, se você observar que ele está ingerindo água em demasia, urinando diversas vezes ao dia e apresentando emagrecimento evidente.

 Não perca tempo, pois seu animal precisa de você !

 


 DOENÇAS INFECCIOSAS EM FELINOS

     LEUCEMIA FELINA

      VIRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA FELINA

     PERITONITE INFECCIOSA FELINA


    

A leucemia felina é uma  enfermidade  infecciosa, contagiosa,  produzida  por  um  retrovírus        ( Família Retroviridae, subfamília Oncornavirinae, gênero Retrovirus tipo C dos mamíferos ).

 O vírus da leucemia felina ( FeLV) é o principal agente patógeno na espécie felina e têm sido identificados  subgrupos distintos em  função da composição da proteína  gp70  do  invólucro:FeLV A,  FeLV B,  FeLV C.   É esta proteína que permite a união do vírus aos  receptores  da superfície celular . O  vírus replica-se nos tecidos linfáticos sistêmicos e na medula óssea, e os neutrófilos   infectados entram na circulação; finalmente, são infectados  os  tecidos epitelial  e glandular, sendo que o processo completo ocorre entre 2 e 4 semanas.

O vírus  da  FeLV  afeta  tanto  felinos  domésticos  como  selvagens.

A infecção pode  ser  transmitida  verticalmente,  de uma mãe a  seus filhotes no útero, através do leite, ou   horizontalmente, de  um gato a outro.

A  principal  via  de  contágio  da enfermidade se dá através saliva; considere-se,  também, a   ocorrência de transmissão através da urina, fezes, secreções respiratórias, mordeduras e transfusões sangüíneas a  partir de um animal infectado.

Para a transmissão do vírus é necessário que  exista um  contacto  estreito  entre os animais.

Nem todos os gatos expostos ao vírus se tornam persistentemente infectados e desenvolvem sinais clínicos .   Após  a  infecção  oral,  o   vírus  da   FeLV  se  replica  no  tecido   linfóide local  da orofaringe.

A  viremia  primária  transporta o   vírus   a  gânglios    linfáticos distantes  e  à medula óssea. Depois disso, uma  viremia    secundária  transporta  o vírus  a  órgãos  internos  e aos tecidos epiteliais.  O  processo  da  infecção  pode  ser  interrompido  pelo  sistema imune do animal   a qualquer  momento dessa seqüência.

          Contudo, se a infecção da medula óssea se houver consolidado totalmente, a cura é improvável.

A sensibilidade à infecção também depende da idade : em torno de 70% dos filhotes expostos ao FeLV   com  menos  de  8  semanas  de  vida  se  convertem   em  virêmicos  permanentes;   esse percentual  cai 30-50%, em  filhotes  entre 8 e 12 semanas de idade.

Os  gatos   adolescentes  e  os  adultos são  mais  resistentes  à infecção,  com  um  percentual de  infecção permanente entre 10-20%.

Estudos  epidemiológicos  com  base  na  presença de  anticorpos  revelam que 2 de cada 3 gatos entram  em  contacto com o vírus , uma ou  mais  vezes, durante o transcurso de sua vida. Seguramente,  a  FeLV  é a  maior  causa  de  mortalidade  infecciosa  entre   a população felina.

SINTOMAS: 

Após ter contraído a infecção, os felinos afetados podem permanecer assintomáticos   durante um período variável de meses a anos. 

Os sintomas causados por esse vírus são muito variados,incluindo enfermidades neoplásicas e não-neoplásicas . As síndromes neoplásicas incluem : tumores linfóides e não-linfóides.As enfermidades não- neoplásicas incluem supressão da medula óssea: anemia.

O vírus da FeLV leva à imunossupressão, predispondo  o  animal     a   outras   doenças infecciosas,   incluindo-se : a   toxoplasmose,   a criptococose,    a   hemobartonelose,  a peritonite  infecciosa felina,  o  piotórax, a    rinite   e a  estomatite  bacterianas.

O vírus também pode induzir múltiplas anormalidades hematológicas, febre, caquexia, aborto, infertilidade, glomerulonefrite, poliartrite, osteocondromatose, síndromdebilitante de filhotes de gatos e linfadenopatia distinta.

DIAGNÓSTICO:

Sinais Clínicos : são variáveis, incluindo: palidez das mucosas, fraqueza, depressão, anorexia,vômito, perda de massa corporal, icterícia, febre, linfadenopatia, ulceração oral, sinais neurológicos ou sinais de infecção secundária ou neoplasia( especialmente linfossarcoma, leucemia e mielodisplasia).

Achados Laboratoriais :

Hemograma : podem compreender anemia não-regenerativa, macrocitose, leucopenia,    trombocitopenia ou leucemia.

Perfil bioquímico sérico e exame de urina: os achados variam com os sistemas orgânicos afetados.

Sorologia : se constitue na base para um diagnóstico definitivo.T estes diagnósticos mais comumente usados : ELISA e IFA (anticorpo imunofluorescente).


 

A FIV é um vírus felino recentemente reconhecido, pertencente a família dos” retrovírus”.

Embora seja da mesma família de viroses que a FELV, a FIV não é classificada com a  Felv na  sub-família “oncovirus” dos retrovírus. Acredita-se que a forma primária de transmissão da FIV ocorre  através de feridas provocadas por mordidas. Gatos machos perambulantes, na maioria, agressivos, são, mais freqüentemente, infectados com FIV.O contato não-agressivo entre gatos não se apresenta como um caminho eficiente de transmissão da FIV.

A transmissão de uma mãe infectada para seus filhotes ocorre ocasionalmente, mas não se sabe, ao certo, se a infecção ocorre durante a gestação ou depois do nascimento, quando os filhotes recém-nascidos ingerem leite infectado

Não existe nenhum relato que a transmissão da FIV possa ocorrer por via sexual. Após a infecção inicial, o vírus é transportado à região dos nódulos linfáticos, onde pode ser reproduzido numa sub-população de células  brancas do sangue, conhecidas como linfócitos-T. O vírus é então transmitido para os nódulos linfáticos através do corpo, resultando numa linfadenopatia generalizada ( alargamento  dos nódulos linfáticos).

Os sintomas clínicos da síndrome de imunodeficiência são de diversas naturezas, porque envolvem  uma gama de infecções secundárias. Ocorre febre  persistente com perda de apetite, gengivites, estomatites, diarréia persistente, inflamação dos olhos, infecção do trato respiratório, etc.

O diagnóstico da doença é baseado na história e sintomas clínicos do animal, além de teste de anticorpos para FIV. Este teste é realizado em laboratórios de diagnóstico veterinário, comerciais e nas universidades, sendo também apresentado em forma de “Kits” para uso em clínicas.

Se o gato é soropositivo para FIV , uma das coisas mais importantes que se deve fazer é protegê-lo de exposições  de agentes infecciosos capazes de causar doenças severas em animais  com imunidade deficiente.

O uso de medicamentos  para controlar infecções bacterianas pode ser  bem-sucedido, mas deve continuar por longos períodos, ou reinstituído quando ocorrer novas infecções.

É impossível  saber qual a expectativa de vida de um gato soropositivo para FIV.

Sob condições ideais, tais como, o completo  isolamento dos gatos infectados com FIV de outros gatos, poderão manter-se com aparente boa saúde por muitos meses a vários anos após a infecção inicial.

Se o gato já tem apresentado uma ou mais doenças severas, ou se estão presentes febre constante e perda de peso, uma menor sobrevida pode ser esperada.


 

O vírus da PIF é um coronavírus transmitido através das fezes, urina, secreções oronasais e portadores assintomáticos. Essa doença acomete , principalmente, animais entre os 6 e os 12 meses, sendo encontrada, também, uma quantidade significativa de gatos infectados com mais de 10 anos de idade.

Existem duas formas clínicas da doença se manifestar : a forma efusiva  - onde é comum a distensão abdominal progressiva , causando um desconforto respiratório grande ; é encontrado um líqüido viscoso, de cor amarelada, de difícil aspiração. Temos ainda perda de peso, anemia, anorexia, e, se houver comprometimento hepático, o gato pode apresentar-se ictérico.

Na forma seca ou não-efusiva, vamos observar manifestações neurológicas : ataxia, nistagmo, convulsões, paralisia; nos olhos podemos encontrar uveíte, retinite; nos rins, insuficiência renal ; no fígado , icterícia.

O diagnóstico pode ser feito a partir da anamnese, acompanhado de um exame clínico cuidadoso, análise do líqüido abdominal, imunofluorescência para peritonite infecciosa felina ( PIF), onde vamos avaliar a titulação do paciente e dar início ao tratamento, que, apesar de controvertido, muitas vezes tem resultado numa sobre-vida boa, com antibióticoterapia, aspiração do fluído, corticosteróides.

É importante lembrar que o animal suspeito deve ser imediatamente isolado dos outros felinos, além da higiene ser um ponto fundamental, pois o coronavírus da PIF é inativado pelo calor e pela maioria dos desinfetantes.

Se você quiser conhecer o nosso trabalho com gatos titulados para PIF, por favor :


 

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ALE CONOSCO