Família dos Felídeos

 

FELINOS SILVESTRES

                                                                                                          ( Luciana Deschamps)

                              Família dos Felídeos

               Felídeos Silvestres

                                                       Legislação Brasileira sobre Animais Silvestres

                                Felinos em Cativeiro no Brasil

                           Alguns Felinos em Extinção

 

 

Os primeiros representantes da família “ Felidae” surgiram a cerca de oito a dez milhões de anos , portanto, muito antes do aparecimento do homem na Terra.

Os paleontólogos descrevem um animal carnívoro muito assemelhado à doninha, ao qual denominam Miacis. Este animal viveu  há cerca de cinqüenta milhões de anos , tinha um corpo longo e pernas curtas, e foi, provavelmente, o ancestral do cão e do urso, e, do mesmo modo, predecessor do gato.

 Dez milhões de anos mais tarde, um ramo de seus descendentes  deu origem ao primeiro carnívoro assemelhado ao gato ( isto ocorreu dez milhões de anos antes do aparecimento do primeiro cão), e daí surgiu, eventualmente, toda gama de animais que hoje conhecemos como pertencentes à família do gato.

Aquele primeiro gato, que viveu há quarenta milhões de anos, era um animal do Velho Mundo e devia estar extremamente bem adaptado ao seu ambiente, uma vez que permaneceu relativamente imutável, numa época em que outros mamíferos estavam evoluindo rapidamente.É conhecido com o nome de Dinictis, tinha o tamanho aproximadamente igual ao do lince e assemelhava-se muito ao gato moderno; apresentava, contudo, seus dentes caninos muito mais desenvolvidos e seu cérebro muito menor.

Parece que os descendentes dos Dinictis evoluíram em duas direções: numa delas, os dentes caninos tornaram-se ainda maiores;  e na outra, tinham dentes caninos menores, englobando a família“ Felidae”  ( Felídeos), à qual pertencem todos os gatos atuais.

 

 FELÍDEOS SILVESTRES

Os felídeos silvestres estão agrupados em uma grande família denominada Felidae que compreende 37 espécies. Das 10 que ocorrem na América do Sul, 8 espécies são encontradas no Brasil: gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus), gato-maracajá (Leopardus wiedii), jaguatirica (Leopardus pardalis), gato-mourisco (Herpailurus yagouarondi), gato-palheiro (Oncifelis colocolo), gato-do-mato-grande (Oncifelis geoffroyi), suçuarana (Puma concolor) e a onça-pintada e preta (Panthera onca).

A família Felidae se divide em três grupos básicos ou sub-famílias - Felinae, Pantherinae e Acinonychinae, e Acinonyx jubatus que possui um único membro - o Chita. Dentro das sub-famílias Felinae e Pantherinae a espécie é dividida em várias classificações de gênero - fazendo um total de 13 gêneros na sub-família de Felinae e 4 na sub-família de Pantherinae, ainda a sub-família Acinonychinae.

A alimentação é constituída basicamente de pequenos mamíferos, roedores e aves. Os felinos brasileiros em algum nível estão ameaçados de extinção, principalmente pela degradação e fragmentação de seus habitats.

Por estarem no topo da cadeia alimentar, são extremamente sensíveis a mínimas alterações provocadas pelo homem na natureza. Com a crescente destruição dos ecossistemas do país e, conseqüentemente, da vida selvagem, as populações de cativeiro tornaram-se uma importante estratégia para a conservação das espécies.

A grande maioria das espécies da fauna presentes no Estado de São Paulo encontra-se ameaçada por diversas causas: o tráfico de animais silvestres, o desmatamento e a poluição de áreas que abrigam a fauna, entre outras.

                O tráfico de animais silvestres é o terceiro maior tráfico do mundo, ficando somente atrás do

                de drogas e de armamentos, movimentando cerca de 12 milhões de dólares ao ano. Para

                cada 10 animais retirados da mata,somente um sobrevive.

                Os desmatamentos também são grandes responsáveis pela extinção da fauna silvestre.

 

                A fauna silvestre nacional é caracterizada pelos animais brasileiros, sendo considerada

                diferente da fauna doméstica que são aqueles adaptados à vida em cativeiro e também

                diferentes dos animais exóticos que são aqueles animais oriundos de outros países.

 Em todo mundo, inúmeras espécies entram em processo de extinção a cada dia. Alguns

 destes processos são naturais, decorrentes da própria evolução das espécies. Porém,

 sabe-se que a atividade humana na Terra vem, de forma muito acelerada, provocando

 alterações drásticas na natureza, impossibilitando a adaptação de espécies às modificações

 do meio.

  Dessa forma, especialistas reuniram-se para criar estratégias para conservação das

  espécies ameaçadas.

 

  Assim, foram criados os Planos de Manejo para os animais silvestres.O atual Plano de

  Manejo brasileiro é coordenado pela Associação Mata Ciliar  e congrega entidades como

  organizações não governamentais,o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos

  Naturais Renováveis (IBAMA), Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB), instituições

  mantenedoras de felinos como zoológicos, criadores e centros de reabilitação e instituições

  de pesquisa como UNESP – Assis, USP – São Paulo e o Instituto Brasileiro de Pesquisas e

  Diagnósticos (PROVET).

  São desenvolvidos estudos no campo da genética, zoologia, fisiologia, farmacologia

  aplicada, nutrição,manejo , saúde e prevenção de doenças dos felinos neotropicais no Brasil.

 

  Os resultados incluem estudos parciais, situando o problema desses felinos em cativeiro

  dentro do contexto de espécies ameaçadas e de seu ambiente natural. Para a realização

  deste estudo foram até o momento percorridos 34 zoológicos em todo o Brasil localizados

  nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,

  Goiás e Distrito Federal. Foram colhidos dados, informações técnicas e material biológico

  relativos às seguintes espécies: 77 Leopardus pardalis (Jaguatirica), 46 Leopardus tigrinus

  (gato do mato pequenos), 14 Leopardus  wiedii (gato maracajá), 01 Oncifelis geoffroyi (gato

  do mato grande) e 15 Herpailurus yagouaroundi (gato mourisco).

 

   No 2° semestre de 1997, também foram incluídos neste estudo os grandes felinos

   Brasileiros, Panthera onca (onça pintada) e Puma concolor (Onça parda), sendo realizado o

   mesmo manejo.   A primeira atitude tomada foi a marcação dos animais, mediante tatuagem

   e implantação de microchip para identificação individual. A marcação eletrônica mostrou-se

   mais eficiente permitindo a identificação e o respectivo acompanhamento do histórico de

   manejo e de saúde de cada indivíduo.

 

 

   Esses animais foram imunizados contra viroses felinas (Fort Dodge – vírus inativado ),

   constatando-se que não houve nenhuma reação adversa. Valores ponderais e biometria

   corporal e dos dentes foram obtidos para cada espécie, bem como a determinação de

   padrões hematológicos e bioquímicos do sangue.

 

  Com os resultados obtidos até o momento, foi possível estabelecer o Protocolo do Manejo

  para Pequenos Felinos Brasileiros com a finalidade de fornecer parâmetros mínimos sobre

  as necessidades e exigências para a manutenção desses animais em cativeiro. Os animais

  em cativeiro constituem importantes bancos genéticos e os resultados advindos desses

  estudos servirão como parâmetros para  o manejo em Vida Livre.

 

 

 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA SOBRE ANIMAIS SILVESTRES 

 

O IBAMA é responsável pela publicação da Lista Oficial de animais ameaçados de extinção, que é elaborada em conjunto com comitês e grupos de trabalho de cientistas especializados em cada grupo animal.

O IBAMA tem apoiado ações de proteção e manejo de espécies ameaçadas de extinção .  O Brasil possui 208 espécies na Lista Oficial de animais ameaçados de extinção e dez novas espécies serão adicionadas em breve . 

         O reconhecimento pelo Congres

so Nacional da grande perda de biodiversidade que o Brasil vem observando pode ser constatado pelo avanço da legislação ambiental brasileira.

A Lei de fauna, Lei 5.197/67 e a Constituição Brasileira de 1988 vieram fortalecer as medidas de proteção à fauna e à flora  do país. 

Os esforços para a conservação da fauna silvestre do Estado de São Paulo, foram priorizados na Secretaria do Meio Ambiente por meio do Núcleo Estadual para a Conservação da Biodiversidade (PROBIO/SP) e do Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN), tanto atendendo às espécies que têm aqui seu habitat fixo, como as outras que se utilizam  de nossos ecossistemas naturais apenas durante alguma época do ano.

 

Um destes resultados foi a publicação do Decreto Estadual nº 42.838/98, onde consta a Lista de Fauna Ameaçada e Provavelmente Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo que apresenta um total de 526 espécies a serem protegidas, juntamente com seus habitats. Deste total, 313 estão ameaçadas de extinção e 213 estão provavelmente ameaçadas de extinção juntamente com seus "Habitats Críticos".

 

A Legislação que vigora sobre fauna silvestre nacional é bastante rigorosa. Os crimes relacionados com a captura ou destruição destes animais são inafiançáveis, sendo prevista pena de 1 a 5 anos de prisão, dependendo do tipo do delito. A vigência da Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 - Lei de Crimes Ambientais, também trouxe grandes avanços com relação à preservação do meio ambiente.

 

 Felinos em  Cativeiro no    Brasil 

A Associação Mata Ciliar (AMC), através do “Plano de Manejo para Pequenos Felinos Brasileiros”, se propôs a efetuar estudos visando o desenvolvimento de pesquisas integradas e aplicadas, destinadas a ampliar os conhecimentos e contribuir para a conservação de felídeos neotropicais.

Algumas espécies e subespécies de felinos brasileiros estão ameaçadas de extinção em virtude de acentuada destruição de seus habitats, caça predatória e comércio ilegal. Este quadro se torna ainda mais crítico devido à dificuldade encontrada acerca do sucesso reprodutivo dessas espécies em cativeiro, principalmente, dos pequenos felinos.

Apesar da relativa facilidade de adaptação ao cativeiro, estes animais apresentam uma baixa taxa de natalidade, sendo que a maior parte dos filhotes não sobrevive ao primeiro mês de vida. (Censos SZB / Plano de Manejo para Pequenos Felinos).

O bem-estar pode ser proporcionado através de técnicas de Enriquecimento Ambiental, que minimizam consideravelmente o tédio e a depressão causados pelo cativeiro e que levam o animal a desenvolver comportamentos esteriotipados comprometedores de sua saúde.

 O enriquecimento ambiental – embora resulte de preocupação antiga - é uma área recente de estudo e de aplicação dos princípios do comportamento animal.

 De acordo com Stepherdson (Stepherdson, Mellen e Hutchins, 1998), busca melhorar a qualidade do cuidado a animais cativos pela identificação e pelo uso dos estímulos ambientais necessários para o bem-estar psicológico e fisiológico ótimo desses animais.

 Na prática, abrange uma variedade de técnicas originais, criativas e engenhosas para manter os animais cativos ocupados através do aumento da gama e diversidade de oportunidades comportamentais e do oferecimento de ambientes mais estimulantes.

  

 ALGUNS FELINOS BRASILEIROS EM EXTINÇÃO

      GATO-DO-MATO ( Leopardus Tigrinus)

Gato-do-mato

 

 

 

 

 

 

Ordem

Carnívora

Família

Felidae

Nome Popular

Gato-do-mato

Nome em Inglês

Oncilla

Nome Científico

Leopardus tigrinus

Distribuição Geográfica

América Central e América do Sul

Habitat

Floresta

Hábitos Alimentares

Carnívoro

Reprodução

Gestação de 73 a 77 dias

Período de Vida

Aproximadamente 13 anos

 

                 GATO - MARACAJÁ ( Leopardus wiedii)

 

Gato-maracajá

 

 

 

 

Ordem

Carnívora

Família

Felidae

Nome Popular

Gato-maracajá

Nome em Inglês

Margay

Nome Científico

Leopardus wiedii

Distribuição Geográfica

América Central e América do Sul

Habitat

Florestas

Hábitos Alimentares

Carnívoro

Reprodução

Gestação de 81 a 84 dias

g>Período de Vida

Aproximadamente 13 anos

  

             JAGUATIRICA ( Leopardus tigrinus)

Jaguatirica

       

 

 

 

Ordem

Carnívora

Família

Felidae

Nome Popular

Jaguatirica

Nome em Inglês

Ocelot

Nome Científico

Leopardus pardalis

Distribuição Geográfica

América do Norte, Central e do Sul

Habitat

Floresta

Hábitos Alimentares

Carnívoro

Reprodução

Gestação de 70 dias

Período de Vida

Aproximadamente 20 anos