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É
DIFÍCIL PARA UM GATO ACEITAR UM NOVO LAR?
LUCIANA
DESCHAMPS

Ferrugem
Um gato é um ser metódico por excelência: adora sua casa, seu “ dono” ( deixando claro que é o gato quem escolhe seu verdadeiro dono, e não o contrário, como, em geral, se acredita), seus recantos descobertos e eleitos por ele, suas refeições na hora certa, sua bandeja sanitária sempre limpa, sua janela, sacada ou jardim, para os banhos de sol...
Normalmente, a aceitação e adaptação de um gato em um novo lar é uma tarefa muito difícil, levando-se em conta cada caso em particular.
Para um animal que está na rua, exposto a inúmeras crueldades, quando tem a sorte de ser bem adotado, recebendo um lar quentinho, cercado de mimos e atenções, além de um cardápio saboroso e variado, a perspectiva de mudança para uma vida melhor é logo percebida.
Mesmo quando esse animal é muito assustado, sua adaptação vai evoluindo, aos poucos, podendo durar dias , semanas, meses, até que ele se sinta seguro o suficiente para retribuir o carinho e a atenção recebidos.Nesse caso, poderá haver uma demora para essa entrega , mas tenha certeza que ela virá!
Já para um felino domiciliado , com seus hábitos e horários definidos, torna-se difícil a chegada num novo lar. Por exemplo, no caso de um animal idoso, gato único, mimado, um novo lar poderia significar um abandono , podendo deixar de se alimentar , ou até mesmo, desenvolver um quadro de insuficiência renal. Pois seria muito difícil se conseguir um único dono, que não tivesse nenhum outro animal, para adotá-lo. Sendo assim, normalmente, o animal vai para casa de pessoas que já têm outros animais ou mesmo para uma comunidade maior , onde as atenções terão que ser divididas com outros animais e sua adaptação torna-se muito difícil a essa nova realidade.
Existem ainda casos de pessoas que têm alguns gatos e que por motivo de óbito , acabamos acolhendo e tentando tratar cada caso individualmente para procurar ter um certo sucesso nesse seu novo “ habitat”.
Já recebemos gatos extremamente mansos, que eram domiciliados, e que conseguiram se adaptar com uma certa facilidade, provavelmente porque sua relação com as pessoas com quem viviam era frágil, distante, e sem muita intimidade no dia-a-dia. De qualquer forma, essa fácil adaptação é exceção e não regra.
Ainda é possível associar a essa nova mudança um tratamento medicamentoso, usando antidepressivos e também florais, que costumam auxiliar bastante o animal nessa situação.
É certo que devemos sempre, em primeiro lugar, avaliar cada caso em particular, para procurar encaminhar esse animal da melhor forma possível, para que sua adaptação não seja traumática. Ainda vale lembrar que os gatos mais assustados são os que mais padecem com essa mudança, precisando de atenção e carinho redobrados, alimentação o mais palatável possível , sossego , respeito e paciência caso a demora seja longa para haver essa troca de afeto com seu novo “ dono”.
Para todas as questões relativas a felinos, precisamos ter o cuidado em tomar qualquer decisão , pois, sendo um ser extremamente delicado, inteligente e sensível, sua adaptação merece um tratamento especial e diferenciado.
POR QUÊ NÃO UM SEGUNDO GATO?
Elizabeth Borelli

Biba e Mona
Freqüentemente recebemos consultas de amigos e admiradores de felinos que ficam na dúvida quanto à decisão de adotar um segundo gato em casa - temerosos de que seu gato único se ressinta e possa até vir a adoecer pela presença de um novo animal em seu reduto doméstico.
Felizmente, nossa experiência vem demonstrando que esses casos de adoção costumam ter bom resultado de aceitação, desde que sejam tomados alguns cuidados , em termos comportamentais.
Em princípio, numa casa onde já resida um felino, é mais fácil a convivência com um filhote do que com um gato adulto.Nesse caso, deve-se permitir a aproximação entre eles : deixe que o adulto cheire o filhote, mesmo que, de início, possam haver reações de protesto. Apenas os separe se o gato adulto atacar o filhote, caso contrário, procure não intervir na relação deles; na verdade, a tendência é que o gato adulto seja cauteloso com o filhote.Por medida de precaução, é interessante cortar as unhas das patas da frente de ambos, para evitar incidentes...
Mas é também bastante comum uma boa convivência entre novos amigos adultos. Em qualquer caso, é importante que você dê sempre mais atenção ao gato mais antigo da casa, quando ambos estiverem juntos, para que este não tenha nenhuma sensação de perda de afeto. Procure, inclusive,dar um reforço positivo, presenteando-o com pequenos mimos, tais como um novo brinquedo, uma ração diferente, de forma que ele se sinta privilegiado.
Para o novato, reserve o seu afeto para quando ele não estiver na presença do outro!
Contamos com inúmeros exemplos de casos bem sucedidos de nova amizade entre felinos. BIBA havia sido adotada por Hiroco, aos 5 meses, e, depois de mais de um ano,"ganhou" a amiguinha MONA, de quase um ano de idade. A princípio, parecia que o relacionamento não iria dar certo : demonstrações de ciúmes, num primeiro momento, de indiferença, em seguida, sucedendo-se uma gradual aproximação, que acabou redundando numa boa e sincera amizade !
Portanto, amigos,não hesitem em proporcionar ao seu gato único um companheiro ! Contudo, nunca é demais lembrar que a introdução de um novo animal em casa deverá ser precedida de uma consulta ao veterinário para uma avaliação de saúde do novo gato : não deixe de realizar exames laboratoriais capazes de detectar as grandes doenças infecciosas felinas,tais como Leucemia Felina e Peritonite Infecciosa Felina, para então vaciná-lo e, finalmente, dar a ele a oportunidade de também ter um lar.